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Governo investe metade do orçamento de segurança cibernética em 2012

16 jul
2013

Governo investe metade do orçamento de segurança cibernética em 2012

Dias atrás, em fala no Senado após as denúncias de ações de espionagem dos Estados Unidos no Brasil, o ministro da Defesa, Celso Amorim, reconheceu que o Brasil investe pouco em segurança cibernética – pouco mais de R$ 100 milhões estão previstos no Orçamento da União para 2013, com possibilidade de novos aportes, disse.

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O valor é bem próximo ao inicialmente previsto para segurança cibernética no Orçamento da União em 2012. Mas, desse montante, apenas R$ 61 milhões foram usados (dos quais R$ 34 milhões foram efetivamente pagos) segundo levantamento da ONG Contas Abertas. O restante foi cortado em revisões orçamentárias.

“Esse ano, está se repetindo a mesma coisa. Nós temos R$ 90 milhões no orçamento e só R$ 11 milhões, incluindo os restos a pagar, foram efetivamente pagos”, afirmou em entrevista ao Jornal da Globo, Gil Castello Branco, secretário geral da ONG Contas Abertas.

Os recursos são destinados ao o Sistema de Defesa Cibernética, conhecido como CD Ciber, parte importante da política aprovada pelo ministério da Defesa que define estratégias de defesa cibernética nos níveis operacional e tático e que deve ser aplicada nos grandes eventos que serão sediados no País, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Uma das funções do Sistema de Defesa Cibernética é estimular a capacitação de profissionais –no caso, militares– na área. No entanto, esse tipo de iniciativa também está em baixa. Este ano, apenas três militares, segundo o detalhamento da execução orçamentária, foram custeados pela rubrica para se aperfeiçoarem no exterior.

Histórico
Uma portaria, de dezembro de 2012, estabelece que cabe ao ao ministério da Defesa, em conjunto com as Forças Armadas, impedir ou dificultar a utilização criminosa das redes de comunicação de dados (Internet, principalmente), implantar o Sistema Militar de Defesa Cibernética, composto por militares e civis, e fortalecer a estrutura e infraestrutura para que as atividades de defesa sejam desempenhadas.

Deverão ser criados e normatizados processos de segurança cibernética para padronizar os procedimentos de defesa da rede. Serão estabelecidos também programas e projetos para assegurar a capacidade de atuar em rede com segurança. A política integrará as ações já em curso de defesa cibernética no País.

Tudo isso está em xeque agora, por conta do baixo orçamento. Embora o ministério da Defesa afirme que o fato de, até o momento, apenas parte do orçamento ter sido usada não signifique “que os recursos não serão desembolsados ao longo deste exercício financeiro”. Segundo o ministério, “o orçamento da área cibernética tem histórico de execução que registra uma concentração de empenho dos recursos no segundo semestre do ano”.

Telhado de vidro
Antes mesmo da denúncia de espionagem eletrônica, o Brasil já figurava entre os países com maior ocorrência de crimes cibernéticos. Em pesquisa realizada pela empresa norte-americana Norton, especializada em antivírus, o Brasil estava, em 2011, em quarto lugar em uma lista de 24 países com maior quantidade de crimes cibernéticos aplicados, abaixo da China, África do Sul e México.

Segundo a pesquisa, 80% dos adultos brasileiros já foram vítimas desse tipo de crime. A cada 11 dias, uma nova vítima de crime cibernético é registrada no país. Calcula-se que, em 2011, o prejuízo tenha chegado a 15 bilhões de reais.

“O que investimos na segurança cibernética é relativamente pouco, mais ou menos um quarto do que investe o Reino Unido. É absolutamente essencial investirmos nessa área, que reúne defesa, ciência e tecnologia e toda a cidadania brasileira”, disse o ministro da Defesa durante a audiência no Senado. Está coberto de razão.

Fonte: Uol

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